HISTÓRIA DE UM GUERREIRO DE 12 ANOS - PORTAL ESPÍRITA E FILOSÓFICO SSAUDADE E ADEUS
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 Saudade e Adeus

 
 
 

História de Um Guerreiro de 12 Anos

Por Vitor Lovison do Amaral (in memorian)

 
 

 Vitor, um menino de apenas 12 anos, que escreveu sua própria história, onde traçou toda a trajetória da sua doença, e que nunca desistiu da vida. Este jovem guerreiro gostava de escrever, de jogar vídeo game, de informática, e de pescar, além de ser um palmeirense roxo... Já na escola, sempre gostou das letras, e quando começou a escrever sobre a história da sua vida e da sua doença, também deu o título a mesma: História de Um Guerreiro de 12 Anos.

Ele tinha razão quando escolheu esse título, pois vamos ler a história fascinante e emocionante de um grande guerreiro.

Vitor nasceu no dia 25/10/1995, na cidade de Avaré, e desencarnou no dia 21/09/2008, na cidade de Cerqueira César.

Sua passagem foi serena. Quando ele partiu se encontrava em seu quarto, em sua cama, e ao lado das pessoas que mais o amaram nesta vida.

Vitor deixou uma lição de vida muito bonita para todos aqueles que o conheceram e, principalmente para nós, seus pais e sua irmã Vivian de apenas nove anos, e a todos os seus familiares e amigos. Deixando suas últimas palavras gravadas na porta de seu quarto, que foram escritas com adesivos, que são: “Acreditem em si mesmo” e, “Eu amo minha família”. (Vitor)

OBS.: Nada foi alterado no texto abaixo, somente algumas correções ortográficas e de pontuação foram feitas, pois Vitor tinha apenas 12 anos, e o mesmo pedia que seu pai fizesse as correções para ele.


Minha Infância

As Minhas Três Melhores Brincadeiras

I. Eu costumava brincar com meus primos Rodrigo e Renatinho de experiência, nós três fingíamos ser cientistas e de criarmos fórmulas secretas para matar as formigas, os matos e algumas pragas que davam nas verduras da horta do quintal do meu avô.

Nós colocávamos folhas de rosa, folhas de pé de morango, folhas podres de alface, areia, detergente, de vez em quando nós conseguíamos um pouco de álcool, (só um pouquinho), folhas de jornal etc. Então nós colocávamos dentro de uma garrafa de refrigerante de 2 litros, mexíamos e fechávamos bem a garrafa e, depois, nós subíamos em cima do pé de manga, amarrávamos a garrafa e a deixávamos lá.

Meus primos iam embora para a cidade deles que é Sorocaba, daí eles demoravam mais ou menos um mês pra vir de novo para Cerqueira César, nós só íamos abrir a garrafa depois que eles viessem pra cá. A garrafa ficaria um mês pendurada para fazer efeito mais forte e, quando eles voltaram para a casa da minha vovó, nos três subíamos juntos na árvore de manga e, então, abríamos a garrafa que estava com um líquido preto, ficou assim com o tempo. Então, nos três juntos íamos procurar formigas e, quando achávamos, jogávamos o líquido preto em cima delas para ver se a experiência deu certo.  Assim era a brincadeira que nos brincávamos e ainda brincamos.

II. Eu e meus dois primos, Rodrigo e Renatinho, brincávamos e ainda brincamos de corrida de tatu bola na casa da minha avó e avô. Nós procurávamos tatu bolinha no quintal. Cada um escolhia um tatu bolinha. Nós os pegávamos debaixo de pedras, dos vasos de flores da minha vovó. Cada um com seu tatu bolinha e, dávamos um nome para eles. O vencedor da corrida ganhava uma bala, já os perdedores, entregavam o seu tatu bolinha para as galinhas comerem.  Os perdedores iam pegar outro tatu bolinha, enquanto o vencedor chupava a sua bala.

III. Nós três (eu, Rodrigo e Renatinho) brincávamos de bola. Nós fizemos um campeonato, com uma tabela. Cada um encarava o outro. No final, quem acumulava mais pontos vencia e, o vencedor, ganhava doces da minha avó Maria.

Cerqueira César - SP, 29/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}

O Começo de Tudo

No dia 25/04/07 eu fui para Escola, até o recreio estava tudo normal, chegou as duas últimas aulas de história, a aula que eu mais gosto, com minha professora Neiva, eu já comecei sentir algo de estranho nas minhas pernas, eu pensei que fosse cansaço.

E voltando para minha casa, eu fui brincando que eu era um bêbado, porque eu ia tropeçando em qualquer coisa. Então decidi passar na casa da minha avó e de meu avô, minha avó pegou um aparelho de fazer massagem e passou nas minhas costas pra ver se melhorava a dor, depois disso aproveitei que meu primo Renatinho estava na minha vovó e joguei bola com ele, mesmo estando com as pernas bêbadas consegui jogar, até ganhei, mas levei uns “frangos”.

Depois paramos de jogar bola e fomos jogar um jogo de tabuleiro, depois minha mãe me levou para o hospital, para o doutor me ver e tentar descobrir o que seria a dor. O nome dele era Doutor Carlos, ele falou que era dor muscular, além disso, lá eu vi um homem que se engasgou com um osso de porco e, precisava fazer uma cirurgia para tirar, me deu calafrios de ver aquilo, depois fui embora.

Dormi, acordei no outro dia com as pernas muito bambas, quase caindo e cansando muito para andar. Minha mãe ligou para tia Léia e combinaram de me levar para o hospital de Avaré para os médicos me verem. No hospital, titia Léia teve que me levar no colo até lá no hospital, o médico deu umas marteladas no meu joelho, para ver o meu reflexo. Ele me encaminhou para uma Clínica que não deu muito certo, estava cheia.

Daí me levaram para uma outra Clínica particular, o doutor me viu andando e, de cara falou que tinha algo comprimindo a minha medula e, poderia ser uma hérnia de disco. Minha mãe ficou muitíssima preocupada comigo, já ligou para tia Vânia, para sua mãe e para todo mundo dando a notícia, daí o doutor já pediu uma ressonância magnética de situação de emergência para o outro dia; então eu faria a ressonância magnética.

Voltei para casa e tomei um banho, comecei a receber visitas de tios e avós; depois comi uma comida muito boa que minha mãe preparou para mim. Fui dormir, acordei a noite com dor nas costas, não podíamos fazer nada para melhorar, só no outro dia eles me levariam  para Botucatu, fazer a ressonância magnética para ver o que ia dar; foi difícil dormir, mas consegui. No outro dia, acordei sem conseguir andar direito; mamãe e papai ficaram desesperados comigo, então, fomos eu, tio Zezito, papai e mamãe para Botucatu, bem cedinho, para ser consultado pelos médicos de lá.

Cerqueira César - SP, 01/05/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}

O Dia da Minha Cirurgia - 29/04/07 - Domingo

No dia 28/04/07, num sábado, eu fui fazer uma ressonância magnética em Bauru, era minha primeira vez, eu fiquei com medo de levar a agulhada do contraste. Eu achei meio estranho o barulho da máquina, mas eu fiquei calmo porque minha tia Léia e meu pai estavam lá.

Minha mãe e meu tio Fábio estavam me esperando lá fora, dando forças. Depois do exame eu esperei uns 20 minutos e apareceu o resultado com uma médica japonesa. Ela disse que eu tinha um tumor, e fui direto para Botucatu aonde me internaram.

Já no outro dia me levaram para a cirurgia que durou 8 horas. É..., 8 horas mesmo! Foi uma cirurgia microscópica, e, depois disso eu consegui abrir o olho inteiro e eu vi meu pai, minha mãe e minha tia Vânia, e mais uma outra pessoa que ainda não sei quem era. Depois fui acordar só ás 6 da manhã. No outro dia não conseguia mexer as pernas e mal movimenta o pescoço, e o pior de tudo, não controlava minhas fezes. Foi difícil acostumar com aquelas enfermeiras, até bonitinhas, enfiando um tubo no meu pipi para eu fazer xixi, ai como dói aquilo.

Foi difícil comer aquela comida de hospital, eu estava acostumado com a comida da minha mãe. Depois de um tempo eu comecei a receber muitas visitas, como tia Vanda, tia Léia, tia Vânia, minha vovó, meu vovô, meu tio Zezito, minha tia Ana Lúcia e, meu tio Marcelo, mais conhecido como “Turco” etc.

Depois de certo tempo, a minha médica Lied me deu alta e eu vim embora para casa, que felicidade encontrar meus amigos e jogar vídeo game. Eu jogava ainda os PS 1, mais até que era legal, o PS 2 vem em outro capítulo.

Veio um monte de gente rezar e até orar, eu nem sou crente, olha o que fizeram eu passar..., que sacanagem fizeram comigo, eu nem podia sair correndo, dava vontade mais não conseguia, fazer o que pô, eu sou católico, será que não tava escrito na minha testa, vinha até gente falar para eu virar São Paulino e até um Corintiano, que absurdo! Eu sou Palmeirense roxo! Somos campeões não perdedores.

Bateu uma vontade de pescar, meu pai e minha mãe me levaram no pesque-pague e, peguei um peixe corintiano, por isso que o peixe tava com uma cara de tonto, ele era tão feio que nem deveriam cobrar aquele peixe com cara de idiota, por isso que era corintiano, mas deu pra divertir, além disso, não peguei só aquele peixe, peguei mais dois ”estes eram Palmeirense”, estes sim eram bonitos, estes eu podia pagar e,  assim, acabou a pescaria aquele dia.

Depois meu tio Fábio me convidou para um churrasco na casa dele, eu queria carne mal passada, que nós apelidamos de “aquela” e, assim, foi uma boa parte da minha vida.

Cerqueira César-SP, 29/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}

Eu, em Sorocaba, Fazendo Radioterapia

Eu fui para Sorocaba fazer radioterapia, comecei a fazer no dia 23/05/07, foi a minha primeira consulta, eu fui com minha mãe, meu pai e minha tia Cris e, estava chovendo na Avenida Washington Luiz onde fica a clínica Nucleon, local onde eu ia fazer 28 sessões.

No primeiro dia eu, meu pai e minha mãe dormimos no apartamento da tia Cris. Eu fiquei feliz por estar ao lado dos meus primos Renatinho e Rodrigo, e de meus tios Almyr e Cristina por poder matar a saudade.

Nós três, eu, “Digo” e “Nato” (apelidos dos meus primos Rodrigo e Renatinho) jogamos vídeo game PS1 o dia inteiro; No segundo dia eu acordei 08:30 horas para fazer radioterapia, foram comigo a tia Cris, minha mãe e meu pai. Eu gostei muito das enfermeiras de lá, elas são muitos legais e simpáticas. Depois minha mãe foi embora, então ficou eu e meu pai em Sorocaba com minha tia Cris, tio Almyr e meus primos. Nós ficamos lá todos os dias. Além disso, no outro dia, depois da rádio, meu pai levou eu, “Nato” a tia Cris no Shopping para eu conhecer e, compramos um sorvete do McDonalds. Eu pedi um com casquinha de chocolate, com chocolate no meio. Custo do sorvete R$ 3,00 reais, e nós nos divertimos muito, depois todos voltamos para o apartamento e, contamos para “Digo” que, ficou com um pouco de inveja, mais depois entendeu e, o tio Almyr, nem me lembro se contamos pra ele, mas acho que a tia Cris contou.

No outro dia, depois da rádio, meu pai nos levou para passear, para sair um pouco do apartamento, então eu conheci uns amigos do “Nato”, e conheci também um barzinho que tinha lá embaixo do apartamento, depois disso, nós fomos lá na rua comprar cartão telefônico para poder falar com mamãe, e também comprar um jornal de esportes para papai ler. Então tia Cris nos chamou para tomar café da tarde, depois eu e “Nato” jogamos vídeo game. “Digo” chegou a tarde e eles foram treinar bola na quadra do apartamento e após, fomos dormir.

No outro dia, depois da rádio, meu pai foi procurar o setor de fisioterapia no Hospital de Sorocaba para mim e lá, esperamos mais ou menos duas horas para sermos atendidos e, então, as sessões ficaram assim: as 2ª, 4ª, e 6ª feiras, e começavam as  02:00 horas da tarde e terminavam as 06:00 horas.

Os fisioterapeutas se chamavam Maikon e Viviane. Eles judiavam muito de mim com os exercícios, eu chegava na casa da tia Cris esgotado, mais depois que eu saía da fisioterapia, meu pai sempre comprava um sorvetinho para mim.

No outro dia, depois da rádio, meu pai me levou para eu ver os preços do vídeo game PS2 que ia dar-me de presente de aniversário adiantado. No outro dia, ele me levou de novo na mesma loja e compramos o PS2, que foi meu presente de aniversário e, após, aproveitamos e fomos passear no Mercadão, lá vendiam um monte de coisas legais, como moedas antigas, notas antigas, frutas, feijão, arroz..., tudo que possa pensar. Do lado de fora, ficavam pessoas vendendo e trocando coisas, do tipo: eu troco esse meu relógio pelo seu, meu telefone pelo seu ventilador, e assim por diante. Após, voltamos para o apartamento da tia Cris com PS2 e instalamos na televisão do quarto do “Nato” e “Digo”.

No começo eu me empolguei com o vídeo game e esqueci que o “Nato” estava ao meu lado e queria jogar também, daí a tia Cris me deu uma bronca, então eu coloquei um jogo que dava para nós dois jogarmos ao mesmo tempo. Rodrigo chegou, daí eu coloquei um jogo que nós três gostávamos, e jogamos a noite inteira. Ficamos com vontade de não parar mais de jogar, não queríamos mais parar, mais paramos e fomos dormir.

No outro dia eu tive uma surpresa na rádio, pois a enfermeira disse que tinha uma loja na cidade, ela viu que eu gostava muito de boné e me deu o endereço de sua loja, e falou para eu ir lá e pegar um boné de presente, não importava o preço, podia ser do mais caro, do mais bonito. Então eu peguei um azul escuro, bem bonito e fui embora para casa da titia Cris, Na chegada tomei um banho e fui jogar vídeo game com meus primos. Comemos e depois, a noite, vimos a série Lost, sua 3ª temporada e no final, meu primo “Nato” que estava dormindo na sala, foi levado pelo tio Almyr para sua cama, e dormindo ele foi falando: “pára pai, pára pai...” foi muito engraçado e, em seguida, fomos dormir.

No outro dia, depois da rádio e da fisioterapia, eu só fiquei jogando vídeo game e, a noite, nós fomos assistir de novo a série Lost e, de novo, no final, meu primo “Nato” dormiu e quando o tio Almyr levou ele para cama, ele dizia assim: “quero frango, quero frango”,  foi demais. Depois dessa vez, ele não fez mais isso. No outro dia, meu pai levou eu, “Nato” e a tia Cris no Supermercado Carrefour fazer compras.

Cerqueira César - SP, 30/04/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}

Eu, em Sorocaba, Fazendo Radioterapia (Continuação...)

Bom, onde estávamos mesmo...  Me lembrei! Fazendo compras no supermercado Carrefour.

Nós combinamos no outro dia de ir ao cinema, vimos várias coisas no supermercado, pois vendem muitas coisas lá. Nós fomos fazer compras, nem toda comida dura para sempre, depois tomamos um sorvete, menos a tia Cris que tomou um cafezinho quente, depois fomos embora, pois eu queria ver o Zoológico. Nós paramos lá na frente do zoológico para combinarmos de ir outro dia.

Voltamos para casa e Rodrigo já estava lá jogando vídeo game. Eu tomei um banho, depois foi o Renato e depois o Rodrigo, enquanto a tia Cris preparava um belo jantar. Ela pediu para nós pararmos de jogar um pouco vídeo game e, fomos comer a lasanha com molho vermelho, que delícia! Depois meu pai foi ligar para mamãe, dizer que nós iríamos voltar para Cerqueira César na 6ª feira, mamãe deixaria uma feijoada pronta para quando eu voltasse.

No outro dia, eu, meu pai e Renato, fomos ao cinema, como tínhamos combinado. A tia Cris não pôde ir. Chegamos lá, escolhemos o filme: “Piratas do Caribe 3,  e o Fim do Mundo”. Pegamos dois refrigerantes, um de uva e o outro de laranja, e um saquinho de pipoca para cada um.

Depois do filme, Renato percebeu que o bolso de sua calça estava furado, que tinha perdido sua nota de R$ 10,00 reais que tinha levado para pagar a entrada, mas meu pai pagou para ele. Ele nem precisou gastar a nota.

Chegando ao carro, “Nato” percebeu que a nota tinha caído lá dentro,  ele ficou feliz porque recuperou a sua nota, e depois voltamos para casa e contamos para tia Cris que ouviu e nem quis pensar nisso com dó do “Nato”, pois era a mesada dele.

No outro dia, eu e meu papai voltamos para nossa casa e, fomos recebidos por mamãe e Vivian. Como mamãe tinha combinado, ela fez a feijoada que estava uma delícia. Daí chegou várias visitas, a vovó, o vovô etc. Chamei meus amigos para virem brincar comigo, brinquei largado, fiquei até domingo em Cerqueira, depois voltei para Sorocaba, chegamos cansados e com fome, após comermos, fomos dormir.

No outro dia, eu e o Renatinho fomos comprar figurinhas no supermercado. Eu achei uma figurinha premiada dentro do pacote e ganhei um pôster grande da “Rebelde” e, como eu não gostava, preferi dar para minha irmã. Meu primo Renato também estava com sorte, ele ganhou uma flauta. Nós estávamos com azar, porque ficar escutando aquele desafinado, era o fim do mundo, um Deus nos acuda.

No outro dia eu fui ao Zoológico com meu pai, Renatinho e a tia Cris. Nós vimos um jacaré enorme, elefantes, macacos atentados, aves muito bonitas, corujas e vários bichos diferentes.  Tomamos um sorvete, comemos um salgado e fomos ver os hipopótamos e, depois, vimos o canguru, camelo, lobos, cachorros do mato, pavão, avestruz, cisnes, leão etc. Fomos embora e contamos para o Rodrigo e tio Almyr como foi nosso passeio.

No outro dia voltamos para Cerqueira César para matar a saudade da  mamãe e da Vivian. Mamãe deixou pronto minha mistura predileta, bistequinha de porco, comi de monte, e depois brinquei com meus amigos. Depois meu pai me levou para pescar no pesque-pague, tive sorte, não peguei aquele peixe com cara de idiota que era corintiano, só peguei santista desta vez, mas deu pro gasto, peguei duas tilápias. O dono nem cobrou de mim, e fui embora para casa.

No outro dia voltei para Sorocaba, na casa de titia Cris, para continuar com a rádio e, a noite teve jogo do Brasil. Nós assistimos o jogo comendo espetinho de carne, o Brasil ganhou de 5 a 0, não me lembro quem era o adversário. Comecei a tomar um medicamento chamado Temodal, ele não deixaria o tumor voltar. Eu tomava dois comprimidos por noite, por uma semana. Eu apelidei minha tia Cris de “tia aspirina” e meu pai de “pai xarope”. O Temodal me deixava com o estômago ruim e, de vez em quando eu vomitava. Depois disso eu fiz as 28 sessões de radioterapia e, voltei para casa recebendo muitas visitas de avós, primos, tios, tias e de diversas pessoas legais. Eu sou católico, e vinham vários crentes orar para mim Às vezes eu não gostava,  porque eles oram muito alto e eu estava cansado, mais sei que eles queriam o meu bem. Então, assim foi a minha vida em Sorocaba com meus primos, meu tio Almyr e tia Cris. Tia Cris sempre amorosa comigo e simpática.

Cerqueira César - SP, 30/04/2008
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}

Eu, Fazendo Quimioterapia

No dia 03/07/07, ainda em Sorocaba, comecei a fazer quimioterapia via oral, com remédio chamado Temodal, no início eu tomava dois comprimidos num dia e um no outro. Esse remédio me dava sono, náusea, vômito e tirava minha fome. Tomava esse remédio por cinco dias no mês, junto com outros remédios para não ter muitos efeitos colaterais. O Temodal era um remédio muito forte, ele podia cair os meus cabelos, mais não caiu.

Continuei com o tratamento em Cerqueira César, só que daí eu já tomava dois comprimidos por cinco dias seguidos, todas as noites, antes de eu dormir. Comecei a fazer fisioterapia com as fisioterapeutas Junia e Fernanda, elas são legais. Também continuei indo em Botucatu nas consultas mensais com a doutora Lied, isso sem contar que fazia um exame de sangue, sempre antes de começar a quimioterapia. Minha tia Léia que é farmacêutica é quem vinha colher meu sangue. Voltei a andar, não como sempre, mais andando dentro do possível. Voltei a fazer várias coisas normais que eu fazia antes, brincar até de bola com meu amigo Vinícius e Wesley. Eu ia até a casa de minha avó brincar e também nas casas dos meus amigos e primos.

Voltei a pescar e sempre estava usando um colete que foi colocado em mim após a cirurgia, ainda quando estava na UTI. Esse colete eu só tirava para dormir. Fazia ressonância magnética de três em três meses na cidade de Bauru, e outras em Botucatu para ver se o tumor tinha sumido. Eu também passava pelos médicos da neurocirurgia para eles me avaliarem. Tomei o Temodal por sete meses, então comecei a sentir novamente as pernas bambas, minha mamãe ligou para a doutora Lied, falando de minha situação e, então, a doutora Lied pediu para fazer uma nova ressonância magnética, para ver o que estava acontecendo.

Fomos para Bauru no dia 04/12/07 e fizemos a ressonância magnética, então constatou que o tumor tinha voltado. Parei de andar e comecei a usar fraldas descartáveis, pois não controlava mais o xixi e o coco. Levamos o resultado para a doutora Lied ver, então ela suspendeu o Temodal e disse que buscaria um outro recurso para mim, para combater o tumor que havia voltado. Então ela decidiu fazer a quimioterapia na minha veia. Eu iria fazer dez sessões seguidas de quimioterapia no mês, só descansava no sábado e domingo e, ainda, voltava mais um dia do mesmo mês para fazer mais uma sessão.  Para fazer esta quimioterapia, a doutora Lied disse que eu precisava por um aparelhinho chamado portokate para receber a quimioterapia com maior segurança.

Fiquei internado em Botucatu para fazer a cirurgia, e um médico meio japonês colocou o portokate em mim, do lado direito do meu peito, para não machucar minhas veias e, não ter perigo de estourá-las quando eu estiver fazendo a quimioterapia, pois se estourasse uma veia, podia ferir e queimar meu braço, pois o remédio era muito forte. Na mesma semana comecei receber a quimioterapia na minha veia e só na semana seguinte é que poderia receber a quimioterapia através do portokate, neste período também fiz três ressonâncias magnéticas.

Desta vez o medicamento era mais forte que o Temodal e também judiou mais de mim. Eu sentia náuseas, diarréias, vômitos, ficava sem fome e fraco; comecei a tomar soro também.                 

Num final de semana, do mês de janeiro, meus pais me levaram para passear de barco na cidade de Barra Bonita, foi legal, andamos e almoçamos no barco, fomos até próximo da Eclusa e tiramos fotos, depois fomos ver as barraquinhas que ficam ali próximo aonde se pesca, e numa delas eu me interessei por um peixe grande, feito de argila que estava num quadro de madeira, acabei comprando ele por R$ 40,00, era um peixe de nome Cachara, o vendedor fez um desconto para mim, pois paguei em dinheiro com minha mesada.

Depois fomos pescar no rio Tiete ao lado dos barcos, pescamos vários peixes, mas começou a chover e tivemos que parar pois a chuva estava muito forte, então resolvemos dormir em Barra Bonita e ficamos numa pousada legal, isto sem dizer que eu estava de cadeiras de rodas, no outro dia, logo de manhã, fomos pescar no mesmo lugar, mas logo começou a chover de novo e tivemos que parar e, então, fomos almoçar em uma lanchonete que fica próximo onde estávamos pescando; em seguida fomos dar uma volta nas barraquinhas novamente.

Minha mãe e minha irmã Vivian compraram algumas lembrancinhas para elas e, quando estávamos no carro para voltar para nossa casa, apareceu o pai do vendedor do peixe e disse que o peixe que eu comprei era premiado, e iria fazer um quadro com outro peixe para mim, ele pegou nosso endereço, telefone e disse que viria em nossa casa passear e trazer meu prêmio. Levamos todos os peixes que pescamos para nossa casa, e meu pai ficou limpando eles até meia noite. No outro dia eu tinha que acordar cedo para ir fazer quimioterapia em Botucatu, foi uma aventura.

Quando nos íamos para Botucatu fazer quimioterapia, alguns dias ficávamos na casa da Vera e do Vanderlei “Luxemburgo” para eu não cansar muito das viagens e para meu pai também economizar nas viagens. Vera, Vanderlei e seu filho Tiago, são legais para mim.

Eu ganhei uma cadeira de rodas motorizada; essa cadeira meu pai ganhou de uma empresa de farmácia de nome Apsen que fica em São Paulo, através da Internet. Gostei da cadeira, pois ela me leva para onde eu quero.

Fiz a sessão de quimioterapia pelo portokate no mês de fevereiro, porém, peguei uma infecção da “brava”, tive febre alta e tremia muito, por isso fui internado e acabei indo parar na UTI, novamente, para que fosse feito uma nova cirurgia para retirar o portokate, pois os médicos descobriram que minha infecção era no portokate. Fiz amizade com as enfermeiras e com as médicas da enfermaria, elas são legais, tinha até uma médica que era da Argentina, ela falava meio enrolada, mais dava para entender. Fiquei internado por dezoito dias lá na enfermaria, no isolamento, tomando antibiótico por causa da infecção que peguei; meu pai ficou comigo no hospital nesses dias e, durante este tempo, nós brincamos de truco, xadrez, rouba-monte, cara a cara, pega vareta, dominó etc..., num parquinho que ficava do lado de fora da enfermaria.

Também assistimos televisão, jogamos vídeo game juntos; ele me levava na escolinha e na informática que tinha lá; também me dava banho e me trocava. Recebemos muitas visitas de tios, avós, primos e primas. Assistimos na televisão o jogo do Palmeiras contra o São Paulo, foi vitória do palmeiras 4 X 1, foi demais, até ganhei uma Pepsi  que apostei com o Vanderlei que, até agora não me pagou, mas ele disse que vai pagar. Lá participamos de um aniversário de uma menina que também estava internada e, também, participamos de uma festinha de Páscoa; ganhei um ovo de Páscoa e um refrigerante neste dia.

O homem da loja de Barra Bonita veio em casa, com sua esposa e amigos e trouxe meu presente, um peixe de argila num quadro de madeira, era um Dourado e, também trouxe um pescador de argila, eles eram legais, disseram que quando fossemos para Barra Bonita passear era para avisar eles, para irmos conhecer suas casas.

Meus pais conseguiram um médico da Argentina para me ver, ele veio até a minha casa e se chama Elias Mateus, ele é médico de homeopatia e, após a consulta ele deixou vários remédios homeopáticos para eu tomar e outro para eu fazer inalação. Ele tomou café da tarde em nossa casa, tiramos fotos junto com ele, e eu até mostrei a ele meus hamster. Esse tratamento é para ajudar nos efeitos ruins da quimioterapia, ele virá uma vez por mês para me ver e trazer mais remédios.

Meu tratamento estava indo bem até que surgiu uma dor muito forte em minhas costas, próximo do tumor. Meus pais ficaram preocupados com minha dor e telefonaram para a doutora Lied, que pediu para fazer uma ressonância urgente. Fomos para Bauru e fiz uma ressonância das costas. Depois meus pais me levaram para Botucatu junto com o resultado da ressonância, e a Doutora Lied receitou uns remédios para minha dor. Passei a tomar mais remédios, sendo que um é de quatro em quatro horas, graças a Deus a dor passou. Voltamos depois para Botucatu para eu passar com outros médicos, médicos que entendem de dores, e me deram mais remédios.

Começou a trabalhar em casa uma mulher que se chama Cleide, ela é legal, faz café, chá e coisas gostosas para mim, quando eu peço.  Eu dei para Cleide um filhote de hamster, ela gostou muito e disse que ia dar para sua filha cuidar. Dei outro filhote de hamster para a Rosana que trabalha com meu pai. Coloquei minha hamster de nome “Biriguete” para namorar o meu hamster “Fred” na mesma gaiola, para eles terem filhinhos. Meu tio Fábio fez um churrasco na casa dele para nós e, neste dia, ganhei um peixe grande, um pintado, de um amigo de meus pais que se chama Hércules.

Ganhei também algumas tilápias e traíras de um amigo nosso que tem um pesque-pague em Cerqueira César. A nova quimioterapia que estou fazendo é muito forte, faço quatro sessões por mês, o dia todo. Ela fez eu perder metade de meus cabelos e, os remédios que estou tomando, fez eu ficar um pouco gordo. Vem várias pessoas me visitar em casa. Tem muitas pessoas rezando por mim. A Cleide que trabalha em casa disse que arrumou um outro emprego e vai sair de casa, mas mamãe e papai já providenciaram outra mulher para trabalhar em nossa casa, no lugar dela.

Minha tia Léia ganhou bebê no Hospital de Avaré, ele se chama Gabriel, um novo priminho São Paulino, é mole!

Se você quiser ler o resto desta história, compre a folha seguinte. (ainda estou escrevendo).

Cerqueira César - SP, 03/05/2008.
Vitor Lovison do Amaral {12 anos}

Eu, em Botucatu, Fazendo Quimioterapia (Continuação...)

Voltei para Botucatu no dia 05 de maio a fim de realizar mais uma sessão de quimioterapia, ou seja, iria fazer mais quatro sessões por mês. Como esta nova quimioterapia era mais forte do que as outras, pois eu estava passando muito mal, a Dra. Lied resolveu fazer apenas três sessões.  Como sempre, comecei a passar mal, tinha vômitos, tremores, fraqueza e meu xixi não estava mais saindo normalmente. Como fiquei desidratado de tanto vomitar e não me alimentar direito, as veias dos meus braços e de minhas mãos sumiram, ou seja, as enfermeiras Bianca, “Léo”, Vandinha, Valéria e “Chico” não conseguiam pegá-las para eu continuar as sessões de quimioterapia. Foi necessário então pegar veias dos meus pés. Fiquei com os braços e as mãos cheias de picadas e roxas pelas agulhadas que levei. Foi difícil terminar esta sessão de quimioterapia. No último dia, a Dra. Lied pediu para a Bianca e um outro enfermeiro, passar uma sonda no meu pipi para que eu pudesse fazer xixi, porque eu estava com um “bexigão”, ou seja, minha barriga estava estufada.

Após, fomos embora para casa. Não foi fácil acostumar com a sonda, pois tinha que estar com ela dia e noite e, de vez em quando, tinha que esvaziar a bolsa. Comecei a ficar com febre que chegou a 40 graus, e também tive tremores pelo corpo todo. No dias das mães, o médico da Argentina, Dr. Elias Mateus e sua esposa,  estiveram em minha casa para uma nova consulta e, após me consultar, deixou mais remédios de homeopatia.

No dia seguinte, como estava passando mal, com febre alta e tremedeiras pelo corpo, veio em minha casa, na parte da manhã, uma enfermeira que trabalha no laboratório de minha tia “Léia” e colheu meu sangue para fazer exames. A tarde saiu o resultado, e então foi constatado que minha defesa estava muito baixa. No dia seguinte, ou seja, dia 12 de maio fui parar novamente no hospital de Botucatu, onde a Dra. Lied já me esperava para mais uma internação, e lá comecei a tomar antibióticos, pois estava novamente com infecção.

Foi colhido mais sangue meu para verificar que tipo de bactéria eu tinha. Após, o exame constou que eu estava com infecção no sangue pelo corpo todo. Novamente uma nova infecção das “brava”, comecei a inchar, inchei tanto que meu saquinho parecia uma bexiga cheia , não comia quase nada, fiquei muito fraco, dormia quase o dia todo e tomava muitos remédios, tanto pela boca, como pela veia. Tomei sangue, plaquetas e soro a vontade. Ficava dia e noite deitado, tomava banho na cama e quase não falava, pois tinha muito sono. Tive várias picadas nos braços e mãos para retirada de meu sangue e para receber medicamentos, às vezes minhas veias cansavam e ficavam roxas e doloridas.  As enfermeiras não mais conseguiam achar veias boas em minhas mãos e braços e, então, comecei a tomar soro e medicamentos nas veias de meus pés. Algumas veias de meus pés também cansaram e também ficaram roxas. Já estava ficando difícil achar veias pelo meu corpo. As enfermeiras de lá, ou seja, da enfermaria da pediatria eram todas legais, pois me tratavam com muito carinho. Lá vendi alguns de meus livrinhos.

Uma médica de nome Paula que lá trabalha, comprou para mim um queijo fresco, uma barra de chocolate e um saquinho de cereal de chocolate para eu comer, essa médica era muito legal para mim, me tratava com muito carinho.

A psicóloga de nome Maria Izabel que também lá trabalha, sempre ia me visitar, pois ela gosta muito de mim e eu dela. Já faz tempo que ela acompanha o meu tratamento e sempre me dando forças para continuar a luta. Também vendi para ela um livrinho meu.

Não foi fácil ficar internado desta vez, pois tive que ficar deitado o tempo todo. Meu passa-tempo era assistir televisão. Recebi muitas visitas quando estava internado, lá estiveram minhas tias Ana Lúcia, Luciana e Vânia, meus tios “Beto”, Zézito e Marcel, meus primos Mateus, Murilo, Daniel e Ana Amélia. Também estiveram lá meus avós José e Maria, Vanderlei, Vera, Vilma e Tiago também foram me visitar.  Minha mãe me visitou todos os dias, e ficou comigo duas noites. Meu pai e uma enfermeira de nome Nivia que lá trabalha, foram convidados por um casal (João e Silvana) para que fossem padrinhos de batizado de seu filho André de apenas quatro meses, que lá estava internado por cirrose hepática.

Não fui ao batizado, pois, como já tinha permissão para deixar o quarto, nessa hora eu estava na escolinha de informática de lá, mas sei que o batizado foi feito por um padre e foi realizado no quarto em que André estava internado. Os médicos das dores, Drs. José Pedro e André também iam me consultar todos os dias, e também iam nutricionistas, fisioterapeutas e médicos plantonistas. Um fato muito engraçado aconteceu comigo quando lá estive internado, pois um médico radiologista que disse ser corintiano foi até meu quarto, perguntou se eu me chamava Vitor, perguntou também que time eu torcia, e eu disse a ele que era palmeirense e, então, ele disse brincando que só ia realizar aquele exame de encéfalo em mim porque eu era palmeirense. Como eu estava meio sonolento, ele perguntou para minha mãe se eu tinha tido convulsão, e, minha mãe disse que não, e ficou sem entender nada, até mesmo a enfermeira Nivia que estava trocando meu soro naquela hora, não notou que o exame estava sendo feito na pessoa errada, ou seja, o Vitor que iria fazer aquele exame não era eu, e sim um outro Vitor que também lá estava internado, em outro quarto. O exame foi feito em mim por uma máquina, ele colocou vários fios em minha cabeça. No final de tudo, não ficamos sabendo do resultado, é mole.

Minha avó Maria, mãe do meu pai, recebeu noticia do médico do hospital de Botucatu, que iria ser internada na terça-feira, ou seja, no dia 14 de maio para ser operada no dia seguinte. Meu pai me disse que minha avó ia ser operada de chagas no intestino. Meu pai me contou também que chagas é uma doença que as pessoas que moravam em sítios, em casas de madeira ou de barro, eram picadas por um bicho de nome barbeiro, que transmitia essa doença (chagas). Fiquei sabendo que minha avó tinha feito a cirurgia que demorou horas, e não passou bem na cirurgia, pois demorou para se recuperar.

No dia 20 de maio, como eu já estava bem melhor, recebi alta e voltei para minha casa, mas minha avó ficou lá se recuperando. Após alguns dias ela teve complicações, e novamente teve que fazer uma nova cirurgia, agora de emergência. Minha avó ficou de coma induzido, pois teve uma infecção generalizada.  Ela ainda passou por uma terceira cirurgia devido a uma nova complicação e, após, foi transferida para a UTI daquele hospital, onde ficou em recuperação.

Dia 3 de junho, voltei com meus pais e minha irmã para o hospital de Botucatu para retorno com a Dra. Lied que, após me consultar, disse que iria mandar um enfermeiro tirar minha sonda para ver se eu conseguia fazer xixi normalmente. Foi o enfermeiro “Chico” que tirou minha sonda e, após, voltamos para nossa casa. Como é gostoso ficar sem a sonda. Graças a Deus, aos poucos, comecei a fazer xixi normalmente. Minhas pernas continuam repuxando sem eu querer, não dói, mas me incomoda, e tomo remédio para isso, mas ele não faz muito efeito. Não sinto nenhuma dor, aos poucos vou voltando ao normal. Passeio com minha cadeira de roda em vários lugares desta cidade. Vou sozinho até a casa de minha avó, mãe da minha mãe.

Dia 11 de junho fomos até Bauru onde fiz uma nova ressonância, onde ficou constatado que o tumor tinha diminuído, ficamos felizes e aproveitamos para almoçar no Shopping. Parei de tomar morfina no dia 12, pois graças a Deus eu não estava mais sentindo dores, e também parei de tomar o Decadron, Omeprazol e Humectol D.

Resolvi criar codornas num viveiro que meu avô tinha em seu quintal. Comprei quatro codornas a R$ 2,50 cada, com o dinheiro que eu ganhava com as vendas de meu livrinho. Comprei também o bebedouro e ração para elas. Eu fiquei responsável de cuidar das codornas, mas os dias estavam muitos frios nesta época e, como eu acordava muito tarde, meu avô achou melhor me dar o viveiro de presente para mim e, então, meu pai, meu avô, meu tio Ismael e o amigo do meu pai que tem uma camioneta e que se chama “Índio”, trouxeram o viveiro até minha casa e ele foi colocado no fundo do meu quintal com as minhas quatro codornas. Como o viveiro era grande, meu pai então comprou mais codornas, elas começaram a botar.

Dia 18 de junho retornei ao Hospital de Botucatu para a Dra. Leid me examinar e, como eu tinha ficado muito ruim com a última quimioterapia, ela disse que eu iria fazer esta nova quimioterapia via oral, com comprimidos, e então me passou sete comprimidos de nome Vepesid, eram enormes, pareciam ovos de codorna, só faltavam as pintinhas pretas. Comecei a tomar tais comprimidos no dia 23 e era um por dia, eu tomava a noite antes de dormir. Os comprimidos me deixavam com o estomago ruim e sem fome, às vezes eu vomitava um pouco.

Ganhei um computador usado de uma empresa de São Paulo, de nome Rochtief, a qual meu pai tinha há tempos mandado um e-mail pedindo um computador para mim. Eles trouxeram o computador em minha casa e, como eu já tinha um computador, este ficou para minha irmã Vivian.

Dia 11 de julho, novamente o médico da Argentina e sua esposa estiveram em minha casa, ele me consultou e deixou mais remédios parar eu tomar, disse que meu tratamento estava indo bem e que era para eu continuar.

Meus pais me levaram na cidade de Bauru fazer uma nova ressonância magnética (Craniana e Cervical) e levamos a Patrícia que trabalha em casa, junto, pois ela nunca tinha ido para Bauru, fiz a ressonância no CDI, e depois fomos para o Shopping passear e, em seguida, assistimos um filme super legal em um dos cinemas do Shopping, e depois fomos até o McDonalds comer um lanche e, como já era noite, voltamos para nossa cidade. Apesar de fazer a ressonância, foi uma viagem legal, pois divertimos muito.

Minha história ainda não terminou, tem mais ainda, só que ainda não escrevi.

Em breve continuarei! (Esta foi a última parte da emocionante história de Vitor, pois, depois disso, ele não conseguiu mais escrever)

Cerqueira César - SP, agosto de 2008.      
Vitor Lovison do Amaral.

Depoimento dos Pais de Vitor

...Nascemos para transformar um pedacinho do mundo em que vivemos.

Com certeza, nosso filho Vitor fez a sua parte, pois um filho é complemento, uma benção, uma jóia preciosa, não destruição de sonhos.

Desejamos a todos que tiveram a oportunidade de ler a história do nosso filho Vitor, muita saúde, amor, união, paz e muita fé! E-mail de Viviane e Carlos - Pais de Vitor Viviani e Amaral.

Obs.: No dia 31/12/2008, ficamos sabendo através da Dra. Lied, para nossa alegria que, o remédio quimioterápico de nome Temodal, o qual o Vitor fez uso, agora é distribuído de forma gratuita na UNESP de Botucatu - SP, para pacientes que tem o mesmo tipo de tumor que o Vitor tinha, ou seja, no sistema nervoso central.

 

 

 
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Se quiserem, podem enviar um e-mail pessoal aos pais do Vitor, Viviani e Carlos, pois eles ficarão muito felizes.

E-mail de Viviane e Carlos - Pais de Vitor




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